Morar em Tijucas para trabalhar na indústria é a escolha de quem quer salário o ano inteiro, sem depender do movimento do verão. A cidade tem 17,7 mil empregos com carteira assinada, e a ocupação mais comum entre eles, segundo o IBGE, é preparador de massa de argila.
Esse detalhe explica muita coisa. Tijucas não vive de turismo. Vive de fábrica. E isso muda por completo a conta de quem pensa em se mudar para cá.
Resposta rápida
Vale a pena. O emprego industrial em Tijucas paga o ano todo, enquanto o metro quadrado da cidade custa R$ 7.375, menos da metade dos R$ 15.215 de Balneário Camboriú, que fica a 28 minutos pela BR-101. Você ganha estabilidade de renda e ainda mora em uma cidade onde a moradia cabe no salário.
Quanta Gente a Indústria de Tijucas Emprega de Verdade
São 17,7 mil pessoas com carteira assinada em uma cidade de 51.592 habitantes, conforme o Censo de 2022. Ou seja: cerca de um em cada três moradores de Tijucas tem emprego formal registrado no município. Para uma cidade desse porte, é uma proporção alta.
E o emprego está crescendo. Entre janeiro e julho de 2025, a cidade registrou 9,8 mil admissões e 8,5 mil desligamentos, o que deixou um saldo positivo de 1.267 novos trabalhadores com carteira assinada. No ano anterior, o saldo tinha sido de 1.671. O ritmo desacelerou um pouco, mas seguiu positivo.
As três ocupações mais comuns da cidade contam a história econômica de Tijucas melhor do que qualquer texto de propaganda:
- Preparador de massa de argila: a base da indústria de revestimento cerâmico.
- Motorista de caminhão de rotas regionais e internacionais: quem escoa a produção pela BR-101.
- Vendedor de comércio varejista: o comércio que atende quem trabalha nos dois primeiros.
Repare que nenhuma delas é garçom, recepcionista de hotel ou salva-vidas. Em cidade de praia, essas ocupações lideram, e elas somem em abril. Aqui, não.
As Três Indústrias que Sustentam a Cidade
Muita gente acha que Tijucas é a cidade de uma fábrica só. Não é. São três operações grandes, de setores completamente diferentes, e essa diversidade importa mais do que parece.
Portobello: revestimento cerâmico
É a mais conhecida. A Portobello foi fundada na cidade em 1979 e é hoje a maior fabricante de revestimentos cerâmicos do Brasil. Os números do parque fabril, segundo a FIESC, a federação das indústrias de Santa Catarina:
A Portobello em Tijucas, em números
| O que | Quanto |
|---|---|
| Área construída do parque fabril | 205 mil m² |
| Capacidade de produção | 22 milhões de m² de revestimento por ano |
| Funcionários diretos | mais de 2.200 |
| Empregos indiretos gerados | mais de 10 mil |
| Porte | maior parque fabril do ramo na América Latina |
Vale entender o que esses 10 mil empregos indiretos significam na prática. Não é gente dentro da fábrica. É o transportador que leva a carga, a oficina que conserta o caminhão, o restaurante que serve almoço, a loja que vende material de construção, o corretor que aluga a casa. Uma fábrica desse tamanho sustenta uma economia inteira ao redor dela.
Em outubro de 2023, a empresa abriu a primeira fábrica nos Estados Unidos, em Baxter, no Tennessee, com investimento de cerca de R$ 900 milhões. É um sinal de que a operação não está encolhendo.
Growth Supplements: suplementos
Essa surpreende quem é de fora. A Growth Supplements tem sua operação em Tijucas, com cerca de 1.400 pessoas trabalhando diretamente e faturamento acima de R$ 2 bilhões em 2025. O complexo industrial reúne dez galpões, nove deles no mesmo condomínio.
É um negócio que não tem nada a ver com cerâmica, não depende da construção civil e cresce por um motor completamente diferente: o consumo de suplementos no Brasil.
Gerdau: metalurgia
A Gerdau mantém uma unidade em Tijucas, instalada na BR-101, na região do Centro, voltada à fabricação de produtos de metal. É o terceiro setor, com uma lógica de mercado própria.
Cerâmica, suplementos e metal. Três cadeias, três clientes finais, três ciclos econômicos distintos operando na mesma cidade de 51 mil habitantes. É essa base que sustenta o mercado local.
Por Que Renda de Fábrica Muda a Sua Conta de Moradia
Existe uma diferença enorme entre ganhar bem em dezembro e ganhar todo mês.
Quem trabalha em cidade de praia conhece o problema: o verão paga o ano, e o inverno é aperto. O aluguel, porém, vence todo dia 10, com sol ou com chuva. Financiamento também. Por isso tanta gente que ganha bem na alta temporada não consegue aprovar crédito imobiliário. O banco olha renda comprovada e constante, não pico de temporada.
Com emprego industrial, a lógica se inverte. O salário é o mesmo em janeiro e em julho. O banco enxerga renda previsível. O financiamento aprova mais fácil, e você planeja a parcela sem torcer para a temporada ser boa.
Some isso ao preço da moradia em Tijucas e o desenho fica claro: renda estável em uma cidade onde o metro quadrado custa R$ 7.375, como mostra o guia da cidade. É um encontro que quase não existe no litoral catarinense.
Quanto Custa Morar em Tijucas Comparado às Vizinhas
Aqui está o número que decide a mudança. O metro quadrado de Tijucas custa menos da metade do que se paga nas cidades vizinhas, e a distância entre elas é de menos de meia hora pela BR-101.
Preço do metro quadrado e distância até Tijucas
| Cidade | Metro quadrado | Quanto custa a mais | Distância |
|---|---|---|---|
| Tijucas | R$ 7.375 | referência | você mora aqui |
| Itapema | R$ 15.226 | 2,1 vezes | 20 minutos |
| Balneário Camboriú | R$ 15.215 | 2,1 vezes | 28 minutos |
| Florianópolis | R$ 13.288 | 1,8 vez | 40 minutos |
| Itajaí | R$ 13.208 | 1,8 vez | região |
Os valores das vizinhas são do índice FipeZap de maio de 2026. Itapema tomou de Balneário Camboriú o posto de metro quadrado mais caro do Brasil, por uma diferença de apenas 11 reais. Santa Catarina concentra quatro das cinco cidades com o metro quadrado mais caro do país.
Traduzindo para dinheiro no bolso: em um apartamento de 70 m², a diferença entre comprar em Tijucas e comprar em Itapema passa de meio milhão de reais. Mesma metragem, mesmo litoral, mesma rodovia.
Onde Morar em Tijucas se Você Trabalha na Indústria
A cidade é compacta. Não existe aqui o problema de perder uma hora no trânsito para chegar ao trabalho, como acontece em Florianópolis. O que muda entre os bairros é o preço e o perfil.
Centro
É o núcleo urbano, às margens do Rio Tijucas, com comércio e serviços resolvidos a pé. O metro quadrado no Centro está em R$ 7.827, e o apartamento médio sai por R$ 292.450. É a opção de quem quer tudo por perto e não abre mão de padaria, farmácia e banco na esquina.
Universitário
Bairro residencial, mais tranquilo, de ocupação horizontal. O apartamento médio no Universitário custa R$ 230.000, cerca de R$ 62 mil a menos que no Centro. Para quem está começando e quer entrar com parcela menor, é o ponto de partida natural.
Sul do Rio
Fica na margem sul do rio, em expansão, com acesso direto à BR-101. É prático para quem faz turno e precisa pegar a rodovia sem atravessar o centro da cidade. Veja os lançamentos no Sul do Rio.
Os bairros-cidade planejados
É o que está mudando Tijucas. O Flores de Sal ocupa 4,6 milhões de m² e foi projetado para até 25 mil moradores em 7.000 lotes, o maior bairro-cidade do Sul do Brasil. A primeira fase, já em obras, tem 623 lotes, 100 mil m² de área de lazer e um parque de 70 mil m² com um lago de 25 mil m². O bairro terá esgoto tratado próprio e fiação elétrica enterrada, coisa que a maioria das cidades brasileiras não tem.
Há ainda o Altos de Santa Helena, loteamento planejado com separação entre área residencial e comercial, e o Rio Parque, de 460 mil m² e cerca de 700 terrenos, com marina e um parque linear de 2 quilômetros previstos.
O aviso honesto: bairro planejado se compra pelo projeto, não pelo que está pronto. Na primeira fase você compra infraestrutura no papel e cronograma de obra. Quem precisa de escola, mercado e posto de saúde funcionando amanhã deve olhar para o Centro ou o Universitário, onde a cidade já existe.
Comprar ou Alugar Trabalhando na Indústria
Com renda estável, a resposta pende para comprar, e o motivo é aritmético.
Um apartamento de R$ 230.000 no Universitário, financiado com 20% de entrada, deixa cerca de R$ 184 mil a financiar. A parcela cabe no orçamento de quem tem carteira assinada e renda constante, e ela é fixa, enquanto o aluguel reajusta todo ano.
Alugar faz sentido em dois casos. O primeiro é quem acabou de chegar e ainda não conhece a cidade: morar seis meses antes de comprar evita o erro de escolher o bairro errado. O segundo é quem está de olho no bairro planejado e prefere esperar a obra avançar antes de assumir a compra, alugando no Centro enquanto isso.
O que não faz sentido é alugar por anos em uma cidade onde o metro quadrado é metade do da vizinha e a sua renda é previsível. Aqui, o aluguel é ponte, não destino.
O Risco que os Anúncios Não Contam
Nenhuma cidade é só vantagem, e material de venda nunca conta a outra metade.
A ocupação número um de Tijucas é preparador de massa de argila. Revestimento cerâmico é produto ligado à construção civil, e quando a construção esfria no Brasil, a demanda por piso e azulejo esfria junto. Uma cidade com peso grande nesse setor sente o ciclo antes e sente mais forte.
Existe um sinal recente disso nos próprios números do emprego. O saldo de contratações entre janeiro e julho de 2025 foi de 1.267 vagas, positivo, mas abaixo das 1.671 do mesmo período do ano anterior. Continua criando emprego, só que em ritmo menor. Não é alarme, é atenção.
A proteção contra isso já está montada na cidade, e é o que diferencia Tijucas de um distrito industrial comum. Growth Supplements e Gerdau operam em setores que não dependem da construção civil. Se a cerâmica desacelera, a cidade não para junto.
O que fazer com essa informação, na prática:
- Não estique a parcela até o limite do salário. Margem de folga vale mais do que metro quadrado extra.
- Prefira imóvel com liquidez. Dois dormitórios no Centro ou no Universitário se vende e se aluga muito mais rápido do que um imóvel grande e específico.
- Trate a proximidade das vizinhas como seguro. Se o emprego mudar, você tem Itapema a 20 minutos, Balneário Camboriú a 28 e Itajaí na região.
Esse último ponto é o mais subestimado de todos. Morar em Tijucas não te prende à indústria de Tijucas. Te dá acesso a quatro mercados de trabalho em menos de 40 minutos, pagando o metro quadrado de um.
A Cidade Cresceu Rápido Demais? O Que os Números Mostram
Tijucas chegou a 51.592 habitantes no Censo de 2022, um crescimento de 66,64% em relação a 2010. Santa Catarina inteira cresceu 21,78% no mesmo período. Ou seja: a cidade cresceu em ritmo três vezes maior que a média do estado.
Crescimento assim traz dois efeitos ao mesmo tempo, e é honesto olhar para os dois.
O lado bom aparece na renda. O PIB por habitante de Tijucas é de R$ 61,1 mil, acima da média de Santa Catarina, que é de R$ 58,4 mil. A cidade não cresceu só em gente: cresceu em economia. Não é dormitório de cidade grande, é cidade que produz.
O lado a vigiar aparece no serviço público. Cidade que ganha 20 mil moradores em doze anos coloca pressão em creche, posto de saúde e escola. A saúde em Tijucas e a rede de escolas merecem verificação sua, no bairro específico, antes de fechar negócio. Não aceite a promessa genérica de que a cidade tem tudo. Vá ver.
A densidade ajuda a entender por que, mesmo crescendo rápido, Tijucas não parece apertada: são 184,81 habitantes por km² em um município de 279 km². Há espaço físico para crescer, e é esse espaço que permitiu projetos como o Flores de Sal existirem. Em Balneário Camboriú, onde não sobra terreno, a saída foi construir para cima. Aqui, ainda dá para construir para os lados.
É essa a diferença de fundo entre as duas cidades, e explica por que tanta família tem trocado a torre de 40 andares pela casa com quintal a meia hora dali.
Perguntas Frequentes
Quais indústrias existem em Tijucas além da Portobello?
A Portobello é a maior e a mais antiga, fundada na cidade em 1979, mas não está sozinha. A Growth Supplements mantém em Tijucas uma operação com cerca de 1.400 funcionários diretos e faturamento acima de R$ 2 bilhões em 2025. A Gerdau tem uma unidade de produtos de metal na BR-101. São três setores diferentes: cerâmica, suplementos e metalurgia.
Preciso morar perto da fábrica para trabalhar na indústria em Tijucas?
Não. Tijucas é uma cidade compacta, de 51.592 habitantes, e o deslocamento interno é curto a partir de qualquer bairro. A escolha do bairro pode ser feita pelo preço e pelo perfil de vida que você quer, não pela distância até o trabalho.
Dá para trabalhar na indústria de Tijucas e morar em bairro planejado?
Dá, com uma ressalva de prazo. Os bairros-cidade estão em construção: o Flores de Sal está na primeira fase, com 623 lotes de um total de 7.000 previstos. Se você precisa de escola e mercado funcionando já, comece pelo Centro ou pelo Universitário, onde a cidade está pronta, e mude depois se quiser.
O emprego industrial paga o suficiente para comprar imóvel em Tijucas?
A conta fecha melhor aqui do que na vizinhança, e é por isso que tanta gente faz o movimento. O apartamento médio no bairro Universitário custa R$ 230.000, e o metro quadrado da cidade está em R$ 7.375. Em Balneário Camboriú, o metro quadrado é de R$ 15.215, mais que o dobro. A mesma renda compra bem mais imóvel deste lado da rodovia.
A cidade depende demais de um único setor?
Menos do que parece. Existe peso grande da cerâmica, e o saldo de contratações de 2025, embora positivo em 1.267 vagas, veio abaixo das 1.671 do ano anterior. Mas Growth Supplements e Gerdau operam em cadeias que não dependem da construção civil, o que dá à cidade um amortecedor que distrito industrial de um setor só não tem.
Vale mais a pena alugar ou comprar em Tijucas?
Com renda de carteira assinada, comprar tende a fazer mais sentido, porque a parcela é fixa e o aluguel reajusta todo ano. Alugar é uma boa ponte em dois casos: para quem acabou de chegar e ainda não conhece os bairros, e para quem quer esperar a obra do bairro planejado avançar antes de assumir a compra.
Tijucas é Para Quem Quer Salário de Fábrica e Conta de Moradia que Fecha
Morar em Tijucas para trabalhar na indústria funciona porque junta duas coisas que quase nunca aparecem juntas no litoral catarinense. De um lado, renda o ano inteiro, que não some quando o verão acaba, sustentada por um parque industrial de 205 mil m², por uma fábrica de suplementos que fatura mais de R$ 2 bilhões e por 17,7 mil empregos formais na cidade. De outro, moradia que cabe nessa renda, com o metro quadrado a R$ 7.375 enquanto a vizinha a 28 minutos cobra R$ 15.215.
Não é a cidade dos sonhos de todo mundo. Os serviços públicos estão sob a pressão de um crescimento de 66,64% em doze anos, e os bairros planejados ainda são projeto na maior parte. Quem precisa de tudo pronto agora vai encontrar uma cidade em obras.
Mas para quem tem carteira assinada, quer parcela que caiba no orçamento e não quer criar filho em apartamento de torre, a conta de Tijucas é a mais favorável do litoral norte catarinense hoje. E a janela existe justamente porque o mercado ainda não precificou isso.