Tijucas é chamada de capital da cerâmica porque foi ali, em 1979, que nasceu a Portobello, hoje a maior empresa de revestimentos cerâmicos do Brasil. A fábrica não é só a maior empregadora da cidade: ela é o motivo pelo qual a ocupação mais comum entre os moradores, segundo o IBGE, é preparador de massa de argila. Poucas cidades brasileiras têm a economia e o próprio nome tão colados a um único produto.
Isso muda a forma de entender Tijucas. Enquanto boa parte do litoral catarinense vive do movimento do verão, aqui a roda gira o ano inteiro dentro de um parque fabril que produz piso e revestimento para o país e para fora dele. A cerâmica deixou de ser apenas um setor econômico e virou identidade, do emprego formal ao apelido que a cidade carrega.
Resposta rápida
Tijucas é a capital catarinense da cerâmica por sediar a Portobello desde 1979, maior fabricante de revestimentos do Brasil e dona de um dos maiores parques fabris do ramo na América Latina. A operação produz 22 milhões de metros quadrados por ano, emprega mais de 2.200 pessoas diretamente e gera mais de 10 mil empregos indiretos. Em 2023, a empresa até inaugurou uma fábrica nos Estados Unidos. É essa vocação que faz da massa de argila a ocupação número um da cidade.
Por Que Tijucas é Conhecida Como a Capital da Cerâmica
O apelido não é jogada de marketing. Ele nasce de um fato simples: em uma cidade de 51.592 habitantes, conforme o Censo de 2022, a ocupação com carteira assinada mais comum é preparador de massa de argila. Não é vendedor, não é garçom, não é motorista. É a pessoa que prepara a matéria-prima do revestimento cerâmico. Esse detalhe, registrado pelo IBGE, resume o que a cidade faz para viver.
Quem quer entender a economia da cidade por inteiro descobre rápido que ela gira em torno da cerâmica. São cerca de 17,7 mil empregos com carteira assinada no município, e uma fatia relevante deles está ligada, direta ou indiretamente, à produção de revestimento. O PIB por habitante de Tijucas, de R$ 61,1 mil, fica acima da média de Santa Catarina, e boa parte dessa riqueza tem origem no chão de fábrica.
Há ainda um efeito cultural. Cidade que emprega milhares de pessoas em um mesmo setor cria uma linguagem própria. Fala-se de esmalte, de queima, de calibre, de porcelanato, de metro quadrado produzido, do mesmo jeito que uma cidade de praia fala de maré e temporada. A cerâmica está no vocabulário, na rotina e na renda de quem mora ali, e é isso que sustenta o título de capital do setor.
A Portobello: De 1979 à Maior do Brasil
Toda essa história tem um nome no centro. A Portobello foi fundada em Tijucas em 1979 e cresceu até se tornar a maior empresa de revestimentos cerâmicos do país. Enquanto a marca ganhava lojas e presença nacional, a cidade que a viu nascer foi ficando cada vez mais dependente e mais orgulhosa dela. Falar de Tijucas sem falar da Portobello é praticamente impossível.
O que torna a operação tão importante para a cidade não é apenas o tamanho da empresa no papel, mas o volume que ela move localmente. O parque fabril instalado em Tijucas é apontado como um dos maiores do ramo na América Latina, com capacidade para produzir 22 milhões de metros quadrados de revestimento por ano. É produção suficiente para cobrir pisos e paredes em obras espalhadas por todo o Brasil, saindo de uma única cidade do litoral catarinense.
O parque fabril em números
Os números ajudam a dimensionar o peso da fábrica na vida de Tijucas. Segundo a FIESC, a federação das indústrias de Santa Catarina, o parque tem 205 mil metros quadrados de área construída, emprega mais de 2.200 pessoas diretamente e gera mais de 10 mil empregos indiretos. Para uma cidade de pouco mais de 51 mil moradores, esses indiretos importam tanto quanto os diretos.
Vale entender o que esses 10 mil empregos indiretos significam na prática, porque eles não estão dentro da fábrica. É o caminhoneiro que leva a carga pela BR-101, a oficina que conserta o caminhão, o restaurante que serve almoço ao turno, a loja de material de construção, o corretor que aluga a casa para quem chegou para trabalhar. Uma operação desse porte sustenta uma economia inteira ao redor, e essa economia é a de Tijucas.
A Portobello em Tijucas, em números
| O que | Quanto |
|---|---|
| Ano de fundação, em Tijucas | 1979 |
| Posição no país | maior empresa de revestimentos cerâmicos do Brasil |
| Porte do parque fabril | um dos maiores do ramo na América Latina |
| Área construída | 205 mil m² (segundo a FIESC) |
| Capacidade de produção | 22 milhões de m² por ano |
| Funcionários diretos | mais de 2.200 |
| Empregos indiretos gerados | mais de 10 mil |
| Fábrica nos Estados Unidos | Baxter, Tennessee, inaugurada em outubro de 2023 |
Da fábrica em Tijucas para os Estados Unidos
Um sinal de que a operação não está encolhendo veio de fora do país. Em outubro de 2023, a Portobello inaugurou sua primeira fábrica nos Estados Unidos, em Baxter, no Tennessee, com investimento de cerca de R$ 900 milhões. Uma empresa que nasceu em uma cidade catarinense de 51 mil habitantes passou a produzir revestimento em solo americano.
Para quem mora ou pensa em morar em Tijucas, esse movimento diz algo importante sobre estabilidade. Empresa que investe quase um bilhão de reais para crescer lá fora dificilmente está de saída da cidade que é sua base histórica. A matriz industrial permanece em Tijucas, e é dela que continuam saindo os empregos, os caminhões e a massa de argila que dão nome à cidade.
Preparador de Massa de Argila: A Ocupação Nº1 da Cidade
Nenhum dado explica melhor a vocação de Tijucas do que a lista de ocupações mais comuns entre seus trabalhadores. No topo dela, segundo o IBGE, está o preparador de massa de argila, a pessoa que cuida da matéria-prima antes de ela virar piso ou azulejo. Em cidade de praia, quem lidera essa lista costuma ser garçom, recepcionista de hotel ou salva-vidas. Aqui, é a cerâmica.
Esse posto no ranking tem um significado prático que interessa a quem pensa em se mudar. Ele quer dizer que existe demanda constante por mão de obra industrial na cidade, e que essa demanda paga salário o ano inteiro, não só na alta temporada. Quem trabalha na cerâmica ganha o mesmo em janeiro e em julho, o que muda por completo a capacidade de planejar orçamento, alugar e financiar imóvel.
A preparação da massa é o começo de uma cadeia longa. Depois dela vêm a prensagem, a secagem, a esmaltação, a queima e o acabamento, cada etapa com suas próprias funções e postos de trabalho. É essa cadeia que espalha empregos por diferentes níveis de qualificação, do operador de linha ao técnico especializado, e que faz da fábrica uma porta de entrada para quem chega à cidade em busca de trabalho estável.
A Cerâmica Como Identidade de Tijucas
Existe uma diferença entre uma cidade que tem uma fábrica grande e uma cidade que é a fábrica. Tijucas está no segundo grupo. A cerâmica não aparece só nas estatísticas de emprego: ela está na paisagem da BR-101, no fluxo de caminhões carregados, no perfil de quem mora ali e até no apelido que a cidade usa para se apresentar ao resto de Santa Catarina.
Essa identidade se construiu ao longo de décadas. Desde 1979, gerações de famílias de Tijucas passaram pela linha de produção, e muita gente aprendeu o ofício com pai, tio ou vizinho. O conhecimento sobre revestimento cerâmico virou patrimônio local, transmitido dentro das casas tanto quanto dentro da fábrica. É o tipo de saber que fixa uma indústria em um lugar, porque a mão de obra qualificada já está formada e enraizada ali.
Uma vocação que atravessa a história da cidade
Tijucas nasceu bem antes da cerâmica. A cidade tem raiz na colonização açoriana do litoral catarinense e mais de 160 anos de história como município, contados a partir de 1859. A vocação industrial é um capítulo mais recente dessa trajetória, mas foi ela que reposicionou a cidade no mapa econômico do estado no último meio século.
O encontro dessas duas camadas, a origem açoriana e a força cerâmica, é o que dá a Tijucas um caráter próprio. Não é uma cidade balneária que virou destino de veraneio, nem um distrito industrial improvisado. É um município antigo, de formação tradicional, que encontrou na indústria de revestimento a base econômica que sustenta seu crescimento acelerado das últimas décadas. Entender essa soma é entender por que a cidade cresce sem depender do turismo.
O Que a Vocação Cerâmica Significa Para Quem Chega
Para quem pensa em morar ou investir na cidade, a força da cerâmica tem um lado muito concreto. Emprego industrial significa renda previsível, e renda previsível é o que os bancos olham na hora de aprovar financiamento. Quem tem carteira assinada em uma fábrica que produz o ano inteiro consegue planejar a compra de um imóvel de um jeito que trabalhador de temporada raramente consegue.
É essa base de emprego estável que ajuda a explicar a demanda por moradia em Tijucas e a chegada dos bairros planejados de grande porte. Milhares de pessoas trabalhando na indústria precisam de lugar para morar perto do trabalho, e a cidade tem espaço físico para crescer, com densidade ainda baixa. A economia gira, a renda entra todo mês e a procura por casa e apartamento acompanha esse ritmo.
Há também uma dose de honestidade a acrescentar. Revestimento cerâmico é produto ligado à construção civil, e quando a construção esfria no país, a demanda por piso e azulejo esfria junto. Uma cidade com peso grande nesse setor sente o ciclo econômico da construção antes e sente mais forte. Não é motivo para alarme, mas é informação que quem se muda por causa do emprego industrial deve carregar: a cerâmica é forte, e como toda indústria forte, respira no compasso do seu mercado.
Perguntas Frequentes
Por que Tijucas é chamada de capital da cerâmica?
Porque sedia a Portobello desde 1979, a maior empresa de revestimentos cerâmicos do Brasil, e porque a ocupação com carteira assinada mais comum na cidade, segundo o IBGE, é preparador de massa de argila. A economia e o próprio nome da cidade estão ligados ao revestimento cerâmico, o que justifica o apelido.
Quando a Portobello foi fundada?
A Portobello foi fundada em Tijucas em 1979. Desde então cresceu até se tornar a maior fabricante de revestimentos cerâmicos do país, mantendo na cidade um dos maiores parques fabris do ramo na América Latina.
Quantas pessoas a Portobello emprega em Tijucas?
São mais de 2.200 funcionários diretos e mais de 10 mil empregos indiretos gerados ao redor da operação, segundo a FIESC. Os indiretos incluem transporte, comércio, serviços e toda a cadeia que se forma em volta de uma fábrica desse porte.
Quanto a fábrica de Tijucas produz por ano?
O parque fabril da Portobello em Tijucas tem capacidade para produzir 22 milhões de metros quadrados de revestimento cerâmico por ano, em uma área construída de cerca de 205 mil metros quadrados, conforme a FIESC.
A Portobello tem fábrica fora do Brasil?
Sim. Em outubro de 2023, a empresa inaugurou sua primeira fábrica nos Estados Unidos, em Baxter, no Tennessee, com investimento de cerca de R$ 900 milhões. A matriz industrial, porém, segue em Tijucas.
Qual é a ocupação mais comum em Tijucas?
Segundo o IBGE, é preparador de massa de argila, a função que cuida da matéria-prima do revestimento cerâmico. É um retrato direto da vocação industrial da cidade, bem diferente das cidades de praia, onde lideram ocupações ligadas ao turismo.
Trabalhar na cerâmica garante renda o ano inteiro?
Sim, e é justamente esse o diferencial. Diferente do emprego de temporada, o trabalho na indústria cerâmica paga o mesmo salário em qualquer mês do ano. Isso dá previsibilidade de renda, facilita a aprovação de financiamento e permite planejar a compra de um imóvel na cidade.
Uma Cidade Que Se Confunde Com o Que Produz
Poucas cidades brasileiras têm a economia tão colada a um único produto quanto Tijucas tem à cerâmica. Desde 1979, a Portobello transformou um município do litoral catarinense na maior referência nacional em revestimento, com um parque fabril entre os maiores da América Latina, capacidade de 22 milhões de metros quadrados por ano e milhares de empregos que sustentam a vida local. Quando o dado do IBGE aponta a massa de argila como a ocupação número um da cidade, ele está apenas confirmando o que a paisagem já mostra.
Para quem olha Tijucas com intenção de morar, trabalhar ou investir, essa vocação é mais do que curiosidade histórica. Ela significa emprego o ano inteiro, renda previsível e uma base econômica que não some quando o verão acaba. A cerâmica deu à cidade um nome, um ritmo e uma estabilidade que explicam boa parte do seu crescimento recente. Conhecer essa história é o primeiro passo para entender por que Tijucas virou assunto em Santa Catarina.
