Por Que Tijucas Virou o Novo Foco Imobiliário de Santa Catarina — imóveis na planta em Tijucas
Equipe Viver Catarina Publicado em Atualizado em Viver e Morar em Tijucas

Por Que Tijucas Virou o Novo Foco Imobiliário de Santa Catarina

Tijucas virou o novo foco imobiliário de Santa Catarina por um motivo pouco romântico: as vizinhas ficaram caras demais. Quando o metro quadrado de Itapema chega a R$ 15.226, uma parte grande do mercado é simplesmente expulsa.

E essa gente não some. Ela procura a cidade ao lado. A cidade ao lado é Tijucas, que cobra R$ 7.375, menos da metade.

Resposta rápida

Três coisas aconteceram ao mesmo tempo. 1) Itapema e Balneário Camboriú viraram os metros quadrados mais caros do Brasil (R$ 15.226 e R$ 15.215), expulsando compradores. 2) Tijucas cresceu 66,64% em população em doze anos, três vezes mais que o estado. 3) Chegaram os bairros-cidade planejados, com o Flores de Sal e seus 4,6 milhões de m². A cidade estava barata e ficou interessante.

O Gatilho: as Vizinhas Bateram no Teto

Comece pelo dado que explica o resto.

Metro quadrado, FipeZap maio de 2026

CidadeMetro quadradoVariação em 12 mesesDistância de Tijucas
ItapemaR$ 15.226+ 6,35%20 minutos
Balneário CamboriúR$ 15.215+ 2,94%28 minutos
FlorianópolisR$ 13.288não informado40 minutos
ItajaíR$ 13.208não informadoregião
TijucasR$ 7.375não medido pelo índicezero

Itapema tomou de Balneário Camboriú o posto de metro quadrado mais caro do Brasil, por uma diferença de apenas 11 reais. Santa Catarina concentra quatro das cinco cidades mais caras do país.

Agora olhe para a coluna da variação, porque ela conta a história real. Balneário Camboriú subiu apenas 2,94% em doze meses. É pouco, e é sintoma de mercado saturado. Quando o preço já está no teto, ele sobe devagar, porque o comprador que restou é cada vez mais raro.

É esse esgotamento que empurra capital e comprador para fora. E, para quem sai de lá, Tijucas é o destino óbvio: a 28 minutos, pela mesma rodovia, custando metade.

O Que Tijucas Tinha que Ninguém Estava Vendo

Cidade barata perto de cidade cara não basta. Existem cidades baratas em toda parte, e a maioria continua barata para sempre.

Tijucas chamou atenção porque, quando o mercado finalmente olhou, encontrou três coisas que não esperava.

1. Uma economia de verdade

A cidade tem 17,7 mil empregos com carteira assinada para 51.592 habitantes. Um em cada três moradores tem emprego formal registrado no município. E o PIB por habitante é de R$ 61,1 mil, acima da média de Santa Catarina, que é de R$ 58,4 mil.

Isso muda tudo, porque significa que Tijucas não é cidade-dormitório. Ela produz. Três indústrias grandes operam ali: a Portobello, fundada em 1979, com parque fabril de 205 mil m² e mais de 2.200 funcionários diretos; a Growth Supplements, com cerca de 1.400 funcionários e faturamento acima de R$ 2 bilhões em 2025; e a Gerdau, na BR-101. Veja como a indústria local sustenta a cidade.

2. Uma população em disparada

Tijucas cresceu 66,64% entre os censos de 2010 e 2022. Santa Catarina, no mesmo período, cresceu 21,78%.

Três vezes mais rápido que o estado inteiro. Gente chegando é demanda por moradia chegando, e nenhum mercado imobiliário ignora isso por muito tempo.

3. Terra sobrando

São 279 km² com densidade de apenas 184,81 habitantes por km². Enquanto Balneário Camboriú não tem onde construir, Tijucas tem espaço de sobra.

É essa disponibilidade de terreno que tornou possível o passo seguinte, e é ele que mudou o jogo.

Lançamentos em Tijucas

O Que Virou a Chave: os Bairros-Cidade

Tijucas era barata, tinha economia e tinha terra. Faltava o produto. Ele chegou.

O Flores de Sal ocupa 4,6 milhões de m², projetado para 7.000 lotes e até 25 mil moradores, o maior bairro-cidade do Sul do Brasil. A primeira fase, em obras, tem 623 lotes, com 100 mil m² de área de lazer e um parque de 70 mil m² com lago de 25 mil m². A infraestrutura inclui esgoto tratado próprio e fiação elétrica enterrada.

Pare um segundo nesse número: 25 mil moradores. A cidade inteira tem 51.592 habitantes. Um único bairro pode acrescentar quase metade da população atual.

Há ainda o Rio Parque, com 460 mil m², cerca de 700 terrenos e R$ 50 milhões de investimento inicial, prevendo marina e parque linear de 2 km, com lançamento no início de 2026. E o Altos de Santa Helena, da Terraza Urbanismo.

O que esses projetos fizeram foi criar, em Tijucas, um produto que a cidade não tinha: moradia de padrão alto, com infraestrutura planejada. Antes deles, quem tinha dinheiro não olhava para cá. Agora olha. Entenda o modelo de bairro-cidade planejado.

A Comparação com Balneário Camboriú, Sem Exagero

Você vai ouvir muito que Tijucas é "a nova Balneário Camboriú". Vale colocar isso no lugar, porque a comparação é útil e enganosa ao mesmo tempo.

O que se parece: preço de entrada baixo, localização estratégica na BR-101, chegada de infraestrutura nova e um mercado que ainda não precificou o potencial. É o retrato do início de um ciclo, e Balneário Camboriú viveu isso.

O que não se parece, e é decisivo: Balneário Camboriú tem uma orla. Foi a escassez dessa faixa de terra que empurrou a cidade para cima e fez o preço explodir. Tijucas não tem orla de torre e tem terra sobrando.

A consequência é direta e ninguém gosta de dizê-la: Tijucas provavelmente não vai virar Balneário Camboriú. Sem escassez, não há explosão. A valorização deve ser real, sustentada por economia e população, mas gradual, e não uma multiplicação em três anos.

Isso é bom ou ruim? Depende do que você veio buscar. Para quem quer morar bem por metade do preço, é ótimo. Para quem sonha com o pulo especulativo, é um balde de água fria honesto. Veja por que a cidade ainda é acessível.

O Que Pode Dar Errado

Todo texto sobre "a nova fronteira imobiliária" esquece de escrever esta seção. Aqui vão os cenários que travariam a história.

  • A cerâmica desacelerar. A ocupação número um da cidade é preparador de massa de argila, e revestimento cerâmico depende da construção civil. O saldo de contratações de 2025 foi positivo em 1.267 vagas, mas veio abaixo das 1.671 do ano anterior. É sinal de atenção.
  • Os bairros planejados atrasarem. Cronograma de obra atrasa por regra. Um projeto de 7.000 lotes leva muitos anos, e a valorização depende de ele sair do papel.
  • O excesso de oferta. São milhares de lotes previstos numa cidade de 51 mil habitantes. Se a demanda não acompanhar o ritmo do lançamento, o preço estaciona.
  • O serviço público não acompanhar. Se escola, saúde e trânsito degradarem com o crescimento, a cidade perde justamente o que atrai as famílias, e o ciclo se quebra sozinho.

Nenhum desses cenários é catastrófico, e nenhum deles derruba a tese. Mas todos são plausíveis, e quem investe pensando que a subida é automática vai se decepcionar no primeiro tropeço. É por isso que o guia da cidade insiste em prazo longo e posição dimensionada.

Cuidado com a Projeção de 90%

Circula pela imprensa regional que Tijucas deve valorizar até 90% em três anos. Trate esse número com o ceticismo que ele merece.

É uma projeção, não um dado. Ninguém mediu 90% de valorização, alguém estimou. E estimativa de mercado imobiliário costuma ser produzida por quem tem interesse direto em que você compre.

Não precisa disso. Os fatos verificáveis já sustentam a tese: uma defasagem de 106% para as vizinhas, população crescendo 66,64% em doze anos e uma economia com 17,7 mil empregos formais. Isso basta, e não depende de futurologia. Se vale investir, é por causa desses números, e não da promessa.

Quem Está Comprando em Tijucas Agora

Vale entender quem é o comprador que está movendo esse mercado, porque isso diz muito sobre o que vem pela frente.

O expulso de Balneário Camboriú

É o maior grupo. Gente que trabalha ou tem vida em Balneário Camboriú e Itapema, mas não consegue mais pagar R$ 15 mil o metro quadrado. Não está fazendo um investimento ousado: está fazendo a conta que sobrou.

A família fugindo da torre

Quer quintal, não elevador. Descobriu que, pelo preço de um apartamento apertado na vizinha, compra casa com espaço aqui. Para essa família, a valorização é irrelevante: ela veio pela vida, não pelo ágio. É o perfil que mais tem trocado a cidade grande pela média.

O trabalhador da indústria

Tem carteira assinada, renda estável o ano inteiro, e trabalha na cidade. Compra para morar perto do trabalho, e é o que dá lastro real ao mercado. Sem ele, Tijucas seria só especulação.

O investidor de fora

Chegou por último, atraído pela defasagem. É o mais barulhento e o menos comprometido: se o retorno demorar, ele vai embora, e leva o dinheiro junto.

A boa notícia, para quem compra pensando em morar, é que os três primeiros grupos são a maioria e não vão a lugar nenhum. Eles estão comprando casa, não posição. Isso dá ao mercado de Tijucas uma base que balneário especulativo não tem, e é o que o guia da cidade mostra em detalhe: aqui as pessoas moram, trabalham e ficam.

Perguntas Frequentes

Por que Tijucas virou o novo foco imobiliário de SC?

Porque as vizinhas bateram no teto. Itapema chegou a R$ 15.226 o metro quadrado e Balneário Camboriú a R$ 15.215, os mais caros do Brasil, o que expulsa compradores. Tijucas fica a 20 e 28 minutos, cobra R$ 7.375, tem economia industrial com 17,7 mil empregos e cresceu 66,64% em população em doze anos.

Tijucas vai virar a nova Balneário Camboriú?

Provavelmente não, e por um motivo estrutural. Balneário Camboriú explodiu porque a orla é finita e o terreno acabou, forçando a verticalização. Tijucas não tem orla de torre e tem 279 km² com densidade de apenas 184,81 habitantes por km². Sem escassez, não há explosão de preço.

O que mudou para o mercado olhar para Tijucas?

Os bairros-cidade planejados. Eles criaram na cidade um produto que ela não tinha: moradia de padrão alto com infraestrutura planejada. O Flores de Sal, com 4,6 milhões de m² e até 25 mil moradores previstos, é o maior do Sul do Brasil. Antes deles, quem tinha dinheiro não olhava para cá.

A valorização de 90% em três anos vai acontecer?

Ninguém sabe, e é uma projeção que circula na imprensa, não um dado medido. Quem produz esse tipo de estimativa costuma ter interesse direto na sua compra. Baseie a decisão na defasagem de preço verificável, de 106% para as vizinhas, e não em promessa de percentual futuro.

Ainda dá tempo de entrar em Tijucas?

A defasagem de 106% para Itapema e Balneário Camboriú é verificável hoje. Mas o preço já não é o de cinco anos atrás. A boa notícia para quem tem calma é que, com terra sobrando na cidade, a subida tende a ser gradual, e não uma corrida de um ano.

O que sustenta Tijucas além da especulação?

Uma economia real. São 17,7 mil empregos com carteira assinada para 51.592 habitantes, e um PIB por habitante de R$ 61,1 mil, acima da média de Santa Catarina. Portobello, Growth Supplements e Gerdau operam na cidade. Não é cidade-dormitório nem balneário especulativo: é cidade que produz.

O Mercado Não Descobriu Tijucas. Foi Empurrado Para Ela.

Não houve um insight genial nem uma descoberta. O que houve foi aritmética: quando Itapema e Balneário Camboriú passaram dos R$ 15 mil o metro quadrado, virando os mais caros do Brasil, uma parte do mercado deixou de conseguir pagar. E foi procurar a saída mais próxima.

Tijucas estava lá, a 20 e 28 minutos, cobrando R$ 7.375. E quando o mercado finalmente olhou com atenção, encontrou mais do que esperava: 17,7 mil empregos formais, PIB por habitante acima da média do estado, população crescendo 66,64% em doze anos e um bairro-cidade de 4,6 milhões de m² em construção.

Mas não confunda o que está acontecendo. Tijucas não é a próxima Balneário Camboriú, e quem promete isso está vendendo. Sem orla e com terra de sobra, ela não tem o combustível da escassez que fez a vizinha explodir. O que ela tem é melhor para a maioria das pessoas: uma cidade que funciona, com preço que cabe, e valorização que vem devagar porque é sustentada por gente trabalhando, e não por especulação.